Para quem vai o molho do baiano?
Na política baiana, não basta ter palanque — é preciso saber quem tempera melhor o jogo.
Lisdeili Nobre
4/2/20262 min read


Dizem que eleição na Bahia começa muito antes do voto. Começa no camarote.
Ainda nem esquentou o verão eleitoral e já tem fila se formando na porta do espaço mais cobiçado do estado: o palanque de ACM Neto. Ou, para os mais íntimos, o camarote VIP da política baiana.
O problema é que o ingresso não é simples. Não basta querer subir — é preciso ser convidado. E, mais importante ainda, ser útil.
De um lado, a pressão vem forte da turma do Partido Liberal. A ala mais barulhenta da direita já bate na porta com o nome de Flávio Bolsonaro debaixo do braço e com a profecia pronta: “Neto, escolha logo. Em cima do muro, você já sabe, não dá voto.”
É quase uma ameaça vestida de conselho.
Mas política não é horóscopo. Não funciona por profecia. Cada eleição tem seu clima, sua estação, seu humor — e, sobretudo, seu eleitor.
E é aí que mora o impasse. Porque a pressa de quem pressiona não parece ser exatamente pela vitória de Neto. O interesse é outro: garantir um caminho baiano para a família Bolsonaro, que ainda circula por aqui como turista — falta dendê, falta suingue, falta tradução baiana.
Enquanto isso, João Roma já anda colado, quase puxando cadeira no camarote, gritando “aqui é Bolsonaro!” como quem tenta garantir lugar na primeira fila antes mesmo da festa começar.
Neto, por sua vez, observa. Observa e calcula.
Não reage à pressão — calcula cenários.
Porque, no fundo, política também é negócio. E empresário não consulta tarô. Consulta pesquisa. Avalia cenário. Mede risco.
Seu palanque não será aberto por afinidade ideológica, nem por pressão de bastidor. Será franqueado a quem trouxer retorno.
Simples assim. Ou nem tanto.
Porque fica a pergunta que ecoa no tabuleiro baiano: será que o molho do baiano mistura com o da família Bolsonaro?
Ou será que entra em cena uma versão mais palatável da direita, como Ronaldo Caiado, o cowboy do Centro-Oeste, que vende segurança pública no velho modelo punitivista e ultrapassado — mas eleitoralmente eficiente?
No fim das contas, o camarote está aberto.
Mas o convite… ainda não saiu.
E, na política, quem entra cedo demais pode acabar sem música — ou pior, sem palco.
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