O Centro gira, o povo espera
Entre giros, alianças e figurinos, o roteiro é o mesmo — só mudam os intérpretes
Lisdeili Nobre
4/1/20262 min read


Será mais um ano de “disse, não disse”.
Isso todo mundo já sabe.
Os episódios seguem sem grandes novidades. O enredo é repetido, quase protocolar. As novelas políticas são as mesmas: entra ano, sai ano — e o roteiro permanece intacto.
O que muda mesmo é a posição geográfica dos personagens.
E, às vezes, nem mudam os personagens — mudam apenas de lado.
Há quem saia de um extremo e vá para o outro, atravessando o palco com a naturalidade de quem troca de roupa. Já o centro… o centro não anda, o centro gira. Gira o corpo conforme o vento eleitoral. Em uma eleição, estende a mão à esquerda no palanque; na seguinte, vira as costas e aperta a mão da extrema direita.
Coisas de um centro provido de oportunismo e desprovido de plataformas.
Perdão, não serei injusta: plataforma existe, sim — mas de vitórias individuais, sustentadas por grandes contratos de consultoria com os emergentes bancários da Faria Lima.
Alguns personagens são descartáveis.
Falta-lhes fidelidade, docilidade ou, até mesmo, capital eleitoral.
Outros chegam iludidos por promessas: farto fundo eleitoral, cargos comissionados, contratos. E, dependendo do investimento — porque aqui não se gasta só energia, investe-se dinheiro —, já se negocia uma secretaria antes mesmo do primeiro ato.
Os que foram eleitos na última temporada agora tentam reorganizar seus times. Quem está na situação até pode torcer o nariz para o “pai político”, mas soltar a mão pode ser pior. Afinal, ainda há obras — superfaturadas de promessas — a serem concluídas.
Enquanto isso, há os que aproveitam a ligeira calmaria e desfilam em bailes à la Bridgerton, vivendo num mundo encantado de reis e rainhas, de pura ostentação. Até que chega o tempo eleitoral… e os cristais Swarovski dão lugar às camisetas de campanha de poliéster — quentes, desconfortáveis, mas estrategicamente populares.
E o povo?
O povo, povo mesmo, segue como personagem que nunca muda: iludido, sobrevivendo com o mínimo existencial proporcionado pelo Estado — aquele mínimo apenas para sustentar a aparência de que o serviço existe.
O suficiente para continuar vivo.
E, sobretudo, para votar na próxima eleição.
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